terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Mariana Barreira conquistou o 5º lugar na Taça da Europa



Mariana Barreira, atleta da A.D.P. de Patinagem Artística, vai representar Portugal na Taça da Europa da modalidade em Solo Dance.
Depois de se sagrar campeã distrital, e conquistar o 3º lugar no campeonato nacional, a atleta mais medalhada da Associação Desportiva de Penafiel, vê assim o seu trabalho recompensado com esta convocatória.
O apuramento para a Selecção Nacional consistiu no visionamento dos melhores atletas nacionais pré convocados, submetidos a uma triagem rigorosa durante 3 etapas.
Mariana Barreira, no seu primeiro ano de júnior, conseguiu superar os objectivos, juntando-se a um grupo reduzido de atletas que terão este privilégio.
À atleta desejam-se as maiores felicidades desportivas.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Entrevista a Hugo Chapouto- Campeão Mundial de Patinagem Artística de Solo Dance


É um caso notável de sucesso recente.
Aos 22 anos, Hugo Chapouto apresenta-se como o maior valor da patinagem artística nacional e dos melhores a nível mundial na vertente de Solo Dance. O Hugo no início do mês de Outubro, em Trieste (capital da patinagem artística italiana) vence o escalão maior e obtém duas notas máximas (10.0)
Mas, afinal, quem é Hugo Chapouto? Como é a vida de um atleta de alta competição ?



Com que idade é que iniciaste a prática competitiva da Patinagem Artística?
Hugo Chapouto (HC): Tinha cerca de de 7 anos quando calçei um patins de fivela, perdidos em casa dos meus pais. Por sorte, ao passear perto de casa descobri um pavilhão onde se praticava patinagem artística... experimentei e apaixonei-me! A primeira época foi atribulada porque dividida os tempos livres entre a patinagem e a música, mas logo me decidi pelos patins. Assim, em 1993 entro definitivamente no mundo da patinagem artística, ao participar numa prova de pares de dança, na Taça Associação Patinagem do Porto.

Porquê a Patinagem, e não por exemplo, o Basquete ou Futebol?
HC: Admito que sempre senti uma predesposição para desportos individuais, mas a verdade é que a Patinagem Artística é um desporto que ultrapassa a vertente física/táctica jogando com o conceito do ''belo'', isto é, trata-se de um desporto que pretende ser arte! O distanciar da infância permite-me olhar com outros olhos para o verdadeiro encanto da modalidade, contudo é fácil entender que qualquer criança se sinta atraída por uma modalidade que consegue mesclar actividade física e atributos artísticos, com a vantagem aliciante de se trabalhar com um instrumento - patins - que acrescentam novas experiências ao desafiar as leis da física.

Achas que a Patinagem Artística te ajudou no teu desenvolvimento enquanto pessoa?
HC: Certamente! Um desporto tão complexo com a Patinagem Artística, com a sua vertente física e artística, juntamente com uma variedade de disciplinas (individuais e em grupo), num ambiente competitivo, foram determinantes na minha formação como pessoa. Quer pela noção de ''espírito de sacrifíco'' para atingir os meus objectivos, quer pelos extremos emocionias de vitórias e derrotas que tão bem me prepararam para a vida real. Ou seja, a diversidade situações e emoções que esta modalidade pode oferecer molda definitivamente todos os seus agentes e principlamete os atletas.

Qual foi o papel da tua família no teu percurso enquanto atleta de alta competição?
HC: A minha família e amigos foram determinantes na direcção em que seguiu a minha carreira como atleta de alta competição. Primeiro porque sem o apoio de todos eles jamais conseguiria reunir as energias necessárias para enfrentar todas as batalhas que fazem parte da vida de um atleta de alta competição; depois porque são eles quem alimenta a chama que matém viva a minha paixão pela patinagem... Serei sempre grato pelo apoio que recebi e recebo da minha família, amigos e espectadores, pois sem eles certamente não existiria o Patinador Hugo Chapouto!

Quantas vezes treinas por semana, e quanto tempo?

HC: Todos os dias. O que varia ao longo da época é a quantidade de sessões de treino por dia, isto é, se em altura de preparação para competições importantes poderei ter 2/3 sessões de treino, de cerca de 2h/6h cada, já em altura de manutenção terei apenas uma sessão de treino, até porque tenho de concilicar esta actividade desportiva com a minha actividade profissional.

O que é mais belo na Patinagem Artística?
HC: Eu diria a capacidade de emocionar, não só pelo aspecto físico da habilidade de dominar um instrumento complexo com os patins, mas a vertente sensível da modalidade, o espectáculo, a imagem, a arte de deslizar e de transmitir algo emotivo aos espectadores... esta é a real beleza deste desporto... arrepiar, fazer rir e chorar!

E o que é mais difícil na Patinagem Artística?
HC: Sobreviver a todas as adversidades que existem neste meio. Não são tanto as quedas ou as horas intermináveis de treino que se apresentam como as maiores dificuldades, antes o fato de ser um desporto que exige instalações desportivas específicas, material de treino especifico, e mais-valias quase inexistentes. Contudo este acaba por ser o seu maior trunfo, uma modalidade tão exigente do ponto de vista físico e emocional e com tantas adversidades acabar por apaixonar te tal forma os seus praticantes que se transforma num ''vício'', saudável!

Se tivesses que convencer um jovem a praticar Patinagem Artística o que lhe dizias?
HC: Não há nada como ver pelos próprios olhos, por isso talvez a primeira coisa a fazer seria convidá-lo a assistir a um espectáculo de patinagem ou provavelmente a um campeonato de patinagem de grupo... ''uma imagem vale por mil palavras!

A maneira como tu lidas com a pressão e a ansiedade antes das provas é algo que tu consegues trabalhar e treinar, ou simplesmente é algo com que apenas lidas na hora em que entras na prova?
HC: Ao longo dos anos tenho conseguido trabalhar a questão da pressão e da ansiedade mas confesso que me é muito difícil treinar este aspecto da competição. Depois de muitas horas de trabalho, de muito esforço e tempo despendido, na hora de entrar em prova tudo isto mais a responsabilidade de agradar aos que assistem parecem constitiur uma barreira à actuação... tenho vindo a desenvolver a capacidade de canalizar este aspecto para um campo positivo, mas continua a ser complicado!

O que é preciso para se ser um bom atleta?
HC: VONTADE: não basta gostar é preciso querer de corpo de alma, porque a dedicação do atleta é fundamental para superar todos os obstáculos e evoluir cada vez mais; CONTEXTO: condições de trabalho como instalações despotivas e material de treino adequados, assim como um bom acompanhamento humano (familiar e técnico) são determinates, principlamente na formação e desenvolvimento em idades precoces; OPORTUNIDADE: experimentar a modadlidade em todas as suas vertentes, quer disciplinares quer de exibição, pois quanto maior o conjunto de experiências de patins do atleta, maior a sua projecção evolutiva na modalidade. PATINAR, PATINAR, PATINAR...

Qual é a sensação de representar Portugal?
HC: Após tantos anos a competir internacionalmente em representação lusa, quer em provas federativas ou particulares, o que mais me impressiona é o sentimento de dever cumprido pela responsabilidade de representar os patinadores de Portugal, ou seja, mais que representar um bandeira é o orgulho de representar todos aqueles que se esforçam dia-a-dia pela desenvolvimento da patinagem artística em Portugal e que depositam em nós todas as suas esperanças.

O que sentiste quando conquistaste o 1.º lugar agora na Cidade de Trieste e fizeste história na modalidade ao conquistar o primeiro título de solo dance no escalão maior?
HC: Vencer o Campeonato Europeu de Pares de Dança, em Vigo 2002, foi maravilhoso, um sonho tornado realidade, mas após um retiro da modalidade de 4 anos, voltar a competir ao mais alto nível e vencer naqueles moldes foi muito especial, especialmente porque trabalhei muito para voltar à forma após a insitência de muitas pessoas para que voltasse a competir... Aos quais aproveito para agradecer eternamente pela persistência!
Facto curioso de 2003 ter disputado um Campeonato Europeu em Trieste onde perco a medalha de Ouro para um par Italiano por 3/2 juízes e agora a desforra, conseguindo alcançar o primeiro lugar contra um atleta italiano por 3/2! Foi uma competição muito renhida e, por isso, sinto-me ainda mais honrado pelo feito alcançado!

O que existe de bom em Portugal que permitiu esta tua conquista? E que dificuldades existiram que te dificultaram essa conquista?

HC: Devo confessar que me surpreendeu a sensibilidade de todos perante o trabalho que desenvolvi, assim como uma predesposição enorme para me auxiliar em todos os aspectos (questões técnicas, material, preparação para actuações)... senti-me bastante aconchegado neste meu regresso como atleta e isso foi muito bom! Contudo outros aspectos dificultaram esta preparação, sendo o mais gritante a falta de condições para treinar. Enquanto vivi em Barcelona, e apesar de treinar completamente sozinho, tinha á minha disposição um complexo de treino com um ringue (22x44), um ginásio e um piscina com uma grande liberdade de horário, em Portugal continua a ser muito complexo, primeiro arranjar um complexo de treino com o mínimo de qualidade, depois horários adequados, uma vez que a política desportiva não é muito simpática para esta modalidade.

E o que é necessário para que Portugal conquiste mais títulos, nos seniores, nas várias especialidades da Patinagem Artística? E nos escalões de formação?
HC: INVESTIMENTO, financeiro e humano! A Patinagem Artística é uma modalidade amadora que acarreta muitos custos á sua prática, por isso é preciso investir na modalidade de um ponto de vista social, ou seja, aumentar o nível qualitativo dos agentes da modalidade (atletas, treinadores, dirigentes) através de actividades federativas no sentido de desenvolver o panorama nacional da modalidade.
Do mesmo modo, é fundamental aumentar o nível quantitativo de praticantes da modalidade, fomentando a pratica da modalidade nos escalões de formação, mas igualmente dotar os atletas, particularmente os séniores, de condições que lhes permitam praticar a modalidade, sejam a aposta na continuidade dos escalões de alta competição ou a elaboração de estratégias que permitam incluir os atletas mais experientes do ''sistema'' da modalidade, utilizando o trabalho já desenvolvido por eles como pólo potenciador de novas oportunidades para a Patinagem Artística.

Com estes títulos alcançados na Taça da Europa, pode-se dizer que Portugal é uma potência a nível mundial em Solo Dance?
HC: Do meu ponto de vista, para se ser considerada um potência é preciso ter curriculum, e a disciplina de SoloDance só no ano passado foi incorporada no Campeonato do Mundo da Modalidade, por isso é preciso esperar para ver... Agora o que se poderá dizer é que, de facto, Portugal se começa a assumir como potência no panorama europeu, contudo é preciso alguma cautela pois o os títulos orgulhosamente alcançados pelos atletas portugueses continuam a carecer de continuidade, isto é, não basta ter vencedores (indivíduos que se destacam) é preciso desenvolver uma escola lusa (como a escola italiana) com qualidade e número, para que Portugal possa alcançar o estatuto de POTÊNCIA na modadlidade, e em particular na disciplina de Solo Dance.

Quais os teus objectivos? A curto, médio e longo prazo?
HC: Contribuir para a dignificação da patinagem portuguesa, abrindo as portas no panorama internacional... quer como atleta quer como treinador! Neste momento encontro-me a desenvolver um planeamento plurianual de 3 épocas que culminará no Campeonato do Mundo de 2010 em Portugal, onde espero alcançar uma medalha. Para tal preciso de treinar muito e competir o mais alto nível pelo que é fundamental participar no maior número de competições, como o Open Hettange-Grande que acabo de vencer. Neste momento encontro-me a treinar para o Campeonato Mundial que se realizará de 17 a 22 de Novembro, em Kaoshiung (China-Taipé), onde espero representar honrosamente a patinagem lusa e marcar uma posição vincada nesta nova disciplina...